Entre a Cruz e a espada I

Na verdade ando meio triste com a movimentação para o segundo turno das eleições. Não tenho o objetivo de fazer campanha para nenhum candidato e nem contra algum deles. Por isso só escrevo esse texto hoje.O que eu acho triste é a maneira como as opiniões se expressam e eu fico muito chateada mesmo com a campanha dos pró-Alckmin contra Lula.

Sempre achei que política fosse coisa séria, que não deve ser fonte de piadinhas, deboches e gracejos. Aliás, me preocupo com a geração criada ao moldes de "Casseta&Planeta". Fatalmente hoje essa geração já tem poder de voto. 

Abro um parêntese para falar do "Casseta&Planeta". Tudo bem assistir, dar umas risadas, eles tem a reunião de algum dos melhores humoristas da atualidade mesmo. O que a gente não pode esquecer é que o nosso engraçadíssimo "Casseta&Planeta", é um programa vinculado a Rede Globo de Televisão. Isso, aquela do Roberto marinho, o recentemente falecido que costumava dizer que tinha o poder de eleger quem quisesse, e o fato é que tinha mesmo.  E mesmo á sete palmos do chão ainda tem. 

Abro outro parêntese, dessa vez maior para falar sobre Globo e as eleições passadas. Lembra-se das eleições de 2002?  Eu lembro. E não é à toa que os estudiosos do assunto política não se cansaram de compara-la á eleição de Fernando Collor de Mello (Justamente aquele que Roberto marinho dizia ter sido eleito por ele e depois deposto do cargo também por ele). O fato é que no período eleitoral, ambas as campanhas extendiam-se subjetivamente do horário eleitoral. Jornalistas mais críticos lamentavam o fato de que tudo que vinha a ser publicado na mídia tinha relação indireta ou direta com as eleições. Enquanto Collor em sua época pregava uma revolução moderna, economicamente liberal e moralista a globo em todas as suas estâncias de comunicação (vamos lembrar que a Globo não é só televisão) exaltava o liberalismo e a moralidade nas suas novelas, nas matérias publicadas nos jornais, nos programas de rádio.  Tudo isso sem citar o nome Collor, claro, indiretamente sugerindo aos seus milhares de espectadores o quanto era bonito o Liberalismo e a moralidade.

Com Lula em 2002 não foi diferente, Lula veio com o emblema da chegada do povo ao poder, do trabalhador, da simplicidade, da preocupação com a desigualdade social. Alguém se lembra o que a rede globo achava lindo em 2002? Sim sim, tudo que fosse de acordo com o discurso do Lula.  

Escrito por Prisioneira às 16h57


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Continuação: Entre a cruz e a espada II

Porque a rede Globo faria isso? No caso de Collor realmente não interessa, visto que o próprio Roberto Marinho admitiu sua campanha á ele. No caso de Lula, bom, também não é segredo que havia uma dívida. Lula começou a manter relações com Rede Globo logo depois do impeachment de Collor (segundo um ex-dirigente do PT) e o PT financiou, ou co-financiou (não lembro muito bem) algumas ações da Rede Globo. Ações esta não muito louváveis eu diria. O acordo era eleição em troca de silêncio e abatimento da dívida e deu tão certo que promoveu uma das cenas mais ridículas do Jornal Nacional que cedeu uma hora de palavra ao já eleito presidente Lula, que além de dar o famoso “Boa Noite” no lugar de Wilian Bonner foi aplaudido de pé pela equipe do Jornal Nacional.  (Sim, o mesmo Wilian Bonner que não poupou piadinhas á ausência do presidente Lula no debate dos presidenciáveis no primeiro turno, questiono-me se aprendeu com o "Casseta&Planeta" ou sempre foi arrogante assim).

Promessa cumprida, trato acabado certo? Errado. Durante o início do mandato de Lula a "Globopar, Globo Comunicações e Participações S/A", registrava em seu balanço um endividamento de cerca de 3,5 milhões de dólares (uau!).  O que lula tem haver com isso?  O principal credor de instituições financeiras brasileiras é governo brasileiro, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Eu também lembro o quanto a Globo achava legal o Lula no início de seu mandato.

Fecho o parêntese ressaltando o fato de que visto tudo isso, não tenho motivos para achar o Lula um santo.

Escrito por Prisioneira às 16h56


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Continuação: Entr a cruz e a espada III

O Lula é aquele cara que não nasceu em berço de ouro. Depois do abandono do pai a mãe teve que se virar sozinha, e eles seguiram o caminho de muitos nordestinos que tentam a vida em São Paulo. Diz que a mãe “nasceu analfabeta”. Formado em torneiro mecânico pelo SENAI. Perdeu um dedo enquanto trabalhava numa metalúrgica. Iniciou sua carreira sindical e tendo resultados resolveu criar um partido que deveria representar a classe trabalhadora. Em 1980 criou-se o PT. No dia em que completou 57 anos foi eleito o presidente com maior número de votos do mundo. Bebe cachaça. Fala besteira.  Preza pela quantidade e não pela qualidade. E supostamente rouba.

Alckmin é o cara que ninguém sabe da onde veio, pouco se sabe de sua família e acho que nem deve interessar. Provavelmente sua mãe não nasceu analfabeta. Formado em Medicina pela Universidade de Taubaté (particular). Filiou-se a um partido (PDB) quando ainda freqüentava a universidade. Tornou-se vereador e logo o prefeito mais jovem da cidade. Não teve tempo de exercer a carreira de médico por ter se envolvido com a política. Elegeu-se deputado estadual pelo PMDB. Assumiu o governo do estado de São Paulo após a morte de Mário Covas.  Em 1988 ajudou a fundar o PSDB. Recebe formação cristã da Opus Dei em encontros noturnos no palácio dos bandeirantes. E supostamente rouba.

Veja bem que falei de fatos. O que não sei, tomei o cuidado de não afirmar.

Ao que me parece estamos entre o cara que não esconde seu passado semelhante ao de tantos brasileiros e o cara que não divulga o seu porque talvez não faça diferença. Entre o torneiro mecânico do SENAI e o médico de uma Universidade Particular. O trabalhador que perdeu o dedo assim como milhões de trabalhadores que sofrem com a falta de segurança no trabalho e o Médico que nunca exerceu a profissão. O cara que partiu da reivindicação dos direitos da classe trabalhadora e o cara que se criou politicamente na universidade (como tantos que eu conheço e lamento a existência). O cara que quando resolveu entrar na política formal criou um partido e o cara que migrou de partido em busca de ascendência política para só depois formar o seu.  O cara que tinha o objetivo claro da presidência e o cara que foi galgando pelo mais provável que seria vitória. O cara que como eu bebe cachaça e fala besteira e o cara que como os malucos que se autoflagelam acredita numa moral conservadora repressora e antiquada. Supostamente ambos roubam.

Essa é a triste conjuntura desse segundo turno.

Se eu vou ser roubada, prefiro mesmo que seja pelo Lula, porque acho que é a vitória da imagem popular Brasileira sobre a pseudo-intelectualidade do liberalismo econômico que vende o Brasil e retrocede socialmente.

Escrito por Prisioneira às 16h56


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Continuação... Entre a cruz e a espada IV

A gente salva o que pode.

Ah sim pode ser muito engraçadinho o fato do Lula dizer que a mãe dele nasceu analfabeta. Se você esquecer das muitas pessoas que realmente nascem fadadas a serem analfabetas, que nunca terão condições de serem analfabetas. Gramaticalmente pode ser engraçado e redundante. Mas na prática o analfabetismo congênito existe e não tem graça nenhuma.

Pode ser engraçadíssimo brincar com o problema de dicção do Lula. Tenho uma prima de 11 e uma priminha de sete anos que também tem problemas na fala. E elas não acham muito engraçado quando riem delas por isso.

Ah sim é um sarro as piadinhas sobre a falta de um dedo do Lula, mas não é nada engraçado o fato dos trabalhadores trabalharem em situação de risco porque as empresas privadas não estão nem aí se o cara vai perder o dedo ou um braço. Acho que quem sabe dos riscos que corre também não acha engraçado.

Foda beber cachaça?  Isso é engraçado: ninguém bebe, só o Lula.

Lula... Mula. Pra mim ele é o presidente mais ignorante que esse país já teve. Mas que na sua ignorância disse mais verdades que qualquer outro.

Já dizia um professor de biologia meu (estudado, formado, viajado, se isso é motivo de credibilidade pra vocês), que às vezes o cara que mora lá no meio do mato, não sabe ler nem escrever, sabe muito mais da realidade do que aquele que muito estudou. No caso da biologia ele costumava dizer que sabia várias espécies de plantas e animais, mas o cara que ele conheceu no meio do mato conhecia essas espécies.  Minha vó também costuma dizer que para saber mandar é preciso saber fazer.

Creio que não é muito diferente na política. Desconfio menos daquele que conhece o que é ser povão e que foi povão, do que naquele que nunca foi trabalhador e só conhece a política.  

 

 

Escrito por Prisioneira às 16h55


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Cheio de eu querer ser,

mais do que os clichês poéticos.

Anjo ou/e demônio...

Como posso ser tão mulher

Extrema até no instinto

E essencialmente musa?

 

Escrito por Prisioneira às 05h59


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Enjoy kids

Depois de muita insistência dos amigos e relutância minha montei " uma coletânea" dos textos que publiquei no meu antigo fotolog, e postei aqui... alguns não tinham titúlo e por achar que ficaria mais fácil pras pessoas se localizarem improvisei. Improvisei também ao não fazer nenhuma correção gramatical. Perdoem-me.

 E por falar em perdão, incluí na coletânea o aclamado e sempre relembrado ( olha que chique) " E as feministas que me perdoem"! ( Me sinto vendendo um livro).

 

Vou ser breve em encerrar o post porque percebo que hoje a humildade me abandonou.

 

Só um recadinho para os amadíssimos leitores: Se gostarem de algum dos textos e a mãozinha de vcs coçar para surrupia-lo do meu blog, só peço que me peçam, e se por acaso forem usar de algum deles, lembrem-se que a referência não minimiza o valor da obra. Uma referência eu aceito :) 

Beijos

Escrito por Prisioneira às 13h45


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nomes

Você que me deixou com mania de denominar pessoas e relacionamentos...

Como se tudo fosse produto pra ter rótulo

E data de validade...(Algumas vezes desejei que tivessem...).

 

Não venha me incriminar se agora é quase hábito...

E se eu tentei nomear o que existe entre nós...

Dei-te mil adjetivos e até apelido.

Mas não sabia o que era você.

 

Não o sei...

 

E não podendo achar nada

Que te traduzisse com a devida propriedade,

Chamo-te como quero, na hora em que eu bem entender,

Com a certeza de que responderás

Mesmo que eu confunda teu nome.

 

 

Pois sabes que só chamo á você.

E a partir daí,

Outras qualificações se tornam desnecessárias,

Já que tu mesmo és exato e ciente

No que significa para mim.

 

 

Escrito por Prisioneira às 13h36


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A estrada.

Eu preciso ver além das paisagens que você me mostra e já não me contento com a vista que tenho da sacada. Há o resto do mundo lá fora e eu o desejo, e sei que ele também quer me ver e me chama todas as noites quando fico sozinha. Eu o escuto quando me deito e penso nas possibilidades, eu sinto seus cheiros e provo das suas delícias. Eu vivo intercalando os chamados do mundo e os seus, vivendo metade lá e metade com você.  Eu preciso escolher um lugar. Eu preciso deixar o passado de lado, eu preciso lembrar do que é ruim, e eu acima de tudo preciso abrir meu coração de novo e achar outra pessoa pra preencher esse vazio que fica mesmo quando você está aqui. 

Sabe, eu me incomodo com o fato de a minha estrada ser quase uma via rápida, mas você faz minha vida estacionar...  Eu queria te encontrar na minha estrada todas as manhãs, mas vc me deixa sempre esperando no acostamento, e volta pra mim cheio de multas e advertências por excesso de velocidade, estacionar em local proibido, passar no sinal vermelho, dirigir embriagada... Coisas que só acontecem porque penso que você está tão distante que não vai saber e muito menos se importar. Mas sempre tem alguém pra me denunciar. Talvez eu devesse mesmo ter minha carteira confiscada por ser adepta da direção agressiva e perigosa. Ou talvez eu devesse expulsar desta estrada, já que ela é minha, todos os guardas e sinalizações, incluindo você que sempre tá aí pra me repreender, mas nunca aparece quando sofro um acidente.    

Escrito por Prisioneira às 13h33


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equilibrista

E é mentira dizer que nem sinto mais nada e besteira esconder minha insatisfação cada vez que vejo um recado seu que não é dedicado á mim. Você é sempre cheio de mistérios e indiretas, não, não entenda isso como um elogio, porque apesar de serem estas duas características as razões de eu gostar de vc, são também as armas que mais me ferem.

Eu poderia resumir nossa história, e depois poderia dar nomes aos bois e falar que vc é um sacana, mas nem isso consigo fazer.

Primeiro porque ambos já sabemos que nossa história não pode ser resumida e que tirar pequenos detalhes dela seria empobrecer meu texto. Eu não gosto de textos pobres. Não gosto de nada pobre em conteúdo ou espírito.

 Segundo porque eu diria que vc agiu mal e porcamente comigo, que foi pobre de sentimentos, mas nem isso me faria gostar menos de vc. Acho que se eu não sentisse nada por vc, seria a pessoas mais pobre do mundo, porque desde que vc apareceu minha vida tem sido cheia de altos e baixos, erros e loucuras, acertos e prazer. Nunca passei por uma fase em que me sentisse tão confiante, tão entregue, tão intensa no que eu sinto. Nunca fui tão rica. Hoje, são tantas emoções (como diria o cara que pra mim de rei não tem nada), que eu tenho pra dar e vender.

A absurda verdade, é que apesar de tudo, eu me sinto melhor gostando de vc, mesmo à distância, mesmo chorando cada vez q vejo sua foto, mesmo sofrendo. Eu estou melhor! Seja porque eu tenho mais assunto pra contar pras amigas na hora do intervalo, ou porque eu tenho algo á sentir.

Eu gosto é de estar aqui, andando sobre a corda bamba, tentando me manter em cima e correndo o risco de cair. Gosto de olhar pra baixo e contemplar o abismo que me espera se eu me deixar desequilibrar por sua causa.  Gosto de olhar em frente e ver o fim da linha, e o terreno seguro que me espera. Sei que no momento nem o abismo nem a terra firme me pertencem. E nem eu pertenço á eles.

Sou dessa linha insegura e ousada que atravessa esse abismo de lado a lado, e me leva onde quero chegar. Pertenço á esse fio sobre o qual caminho. A corda me possui. E eu sinto como se tivesse virado extensão dela, porém bamba é menos a corda do que eu...

Mas tudo que tenho é o meu bambeado, um joguinho de cintura pra me equilibrar e chegar ao fim. 

 O que levarei disso tudo será provavelmente a lembrança da paisagem e da aventura, nem cogito a possibilidade de ter-te como prêmio. Nada mais quero além de sentir o medo e a esperança. O medo de cair e a esperança de chegar, não até você, porque você me incentivou a subir na corda e nem ficou pra assistir o fim do meu espetáculo. Mas chegar em algum lugar mais seguro, e chegar lá com muito mais equilíbrio.

Escrito por Prisioneira às 13h29


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Metades que se encaixam

E é por isso que ando com passos firmes...

Porque um dia já fraquejei. E cai... e é verdade que os tombos nos fazem aprender a levantar.

E é por isso que não dou mais satisfações, e é por isso que parei de me justificar e pedir desculpas, e implorar perdões por pecados que não cometi.

É por isso que ando tão independente...

Por isso parei de chorar, quando percebi que o reflexo das minhas lágrimas era o único brilho em meus olhos que vc gostava de ver. E que omeu sorriso não bastava, e que vc queria menos do que eu queria te dar: eu queria me entregar inteira, mas vc só gostava da metade.

E por andar independente... peço que guarde vc tbm suas desculpas. ( as esfarrapadas, as indecentes e mesmo as sinceras).. Não me dê satisfações das suas vontades, e não me implore perdão já que eu não posso dar.

Não peça desculpas pelo que vc fez em sã consciência. E fique a vontade para se sentir culpado  e carregar esse peso em suas costas que eu já carreguei peso demais, se tem uma coisa que me vc me deve é calçar os meus sapatos por um dia que seja. Eu faço questão de cobrar. Fora isso estamos acertados... Tudo que vc quis eu te dei e  tudo que te dei foi pq eu quis, e gostava que assim fosse.  

Leva todas as boas lembranças, os presentes, os sonhos que agente pensava concretizar... mas me esquece, me erra,me deixa, que eu fico com que é meu por direito: eu mesma.

E como é bom saber que depois de tanto tempo escondida atrás dos seus cds no armário do corredor essa parte de mim que há muito andava por lá, perdida, acuada, suja de poeira, com medo de dar de cara com vc e te assustar, com medo que vc fosse embora e deixasse a outra parte de mim sozinha e ela tivesse que dar conta de ambas de novo,ainda existe e ainda é forte, só precisou de uma sacudida pra se recompor!

Mas te digo: mesmo a parte carente, mesmo a parte que te amava, mesmo a parte que fazia questão de te servir... prefere ter novamente a outra metade:a metade livre, a metade forte, a metade independente do que continuar sendo só metade.

Afinal, se nunca pude me mostrar inteira pra você, foi porque nunca te amei por inteiro. E amor em pedaços não me satisfaz. 

Escrito por Prisioneira às 13h28


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E as feministas que me perdôem

Meus critérios me abandonaram deixando pra mim uma carta de alforria, pois não passo de um corpo quando ele vem:

Sou um coração que palpita, pele que se arrepia, olhos que não desgrudam dos dele, respiração ofegante, pernas que tremem, mãos que o procuram... E uma boca que diz não enquanto o beija.

Só.

Se há algum resquício de consciência nessas nossas horas, é uma consciência que o chama e se apavora.

O quer e o renega.

Luta e desfalece lentamente, sentindo o corpo dele mais próximo, mais ativo, mais firme, mais violento...

Vencida, a sã consciência, consciente da sua fraqueza apaga.

Deixo-me á ele.

Depois mal entendo o que acontece:

São flashes de malabarismos

Contorções de músculos e de almas

Corpo, corpos, corpo.

Sensação pulsante e continuada.

Quase dói.

E de resto

Sobram meus restos... Exaustos, trêmulos e já saudosos.

A consciência acorda culpada.

-Culpada!- Sentencia a consciência

Eu ré confessa, cumpro a pena em silencio.

Agora submissa a mim

Antes submissa a ele...

(-Antes submissa a você do que a ele!- Falariam os critérios, cínicos e mal humorados).

(-Antes submissa á mim do que ao moralismo!- ele diria).

(-Antes submissa á nada, antes desprendida- resmungo eu, de mal com a vida.-

E fica difícil saber se meus argumentos na verdade não passam de desculpas... (a desculpa do imoral, como alguém já disse).

E fica difícil saber á que devo me prender (ou o que devo liberar?)... 

Afastar-me em obediência ao que vovó me ensinou, ou aceitá-lo sempre em obediência á ele... 

Entregar-me em respeito ao meu desejo, ou correr em respeito á consciência que não gosta de ficar pesada.

E fica difícil correr...

E fica difícil pensar na vovó naquelas horas

Fica difícil argumentar se língua dele se enrosca na minha

Fica difícil não me submeter á ele já que bem conheço sua força

Fica difícil me preocupar com a pena se o crime é tão doce! (engorda consciência, engorda!).

Devido ao impasse, me declaro corpo.

E que me perdoem as feministas mas não existe ideologia mais forte que nossa força de atração.

 

 

Escrito por Prisioneira às 13h26


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A caixa da amizade

Era maior que um registro de época, mais do que declarações de amor e amizade: era um registro de mim. Um mapa da minha trajetória. Eu em papéis. E se não houvesse nenhuma identificação naquela caixa, eu sei que qualquer pessoa que me conheça um pouco saberia ao vasculhar que aquilo era meu.

Pode se ver claramente as minhas mudanças, o meu amadurecimento e as minhas primeiras opções que eu nem esperava serem de tamanha importância na minha vida. Mas uma característica e opção se mostrou presente do início ao fim: Aquela puta tendência a nunca ser conveniente...

É até engraçado chegar a essa conclusão agora. Quando me era conveniente ser santa, fui pecadora. Quando seria vantajoso o pecado, preferi ser santa.  Quando era conveniente ficar quieta resolvi responder, e quando eu ia ganhar mais respondendo deixei pra lá. Quando devia ficar sã eu pirei, quando podia pirar eu fiquei em casa.  Quando resolveram que eu poderia ganhar a vida em cima da minha aparência eu escolhi cursar pedagogia. E quando acharam que eu seria uma ótima “tia” em sala de aula cheguei á conclusão que poderia ser qualquer coisa, menos isso.

Esse meu impulso em desprezar as conveniências é muito meu, adquiri no momento em que compreendi o quanto as pessoas deixavam de ser elas mesmas pra ser o que era conveniente ao olhos alheios, para manterem posições sociais, imagem imaculada, superiores satisfeitos, não importando se tivessem que vender sua alma, contanto que fizessem o esperado. As próprias vítimas do preconceito diziam: “Se acham que sou ladrão, vou roubar mesmo”. Os chamados “rebeldes” sempre corresponderam ao que se pensava deles. Nunca perceberam que só se tornavam convenientes á vista conformada, acostumada e orgulhosa da sociedade.

Várias vezes preferi as conseqüências do meu peculiar bom senso em repúdio ao senso comum e vazio do que ser bem vista. Aliás, sempre preferi as conseqüências.

No início era espontâneo, sem reflexão e preocupação em defesa. Depois se tornou um vício pra minha vaidade ser a mártir de uma revolução social puramente instintiva, que até então eu não entendia como particular. Depois, mais embasada, virou filosofia de vida.

E hoje... Hoje eu entendo que a minha opção e tendência a não ser o conveniente me trouxe até a alegria que experimento agora, nesse instante, quando me sinto realizada com minhas opções, desencanada com a opinião alheia, mais sincera do que a maioria das pessoas que encontro, fiel aos meus princípios. Livre, leve e solta.  

Engraçado porque não sou nenhuma mal educada antipática, não prático vandalismo, não uso da malandragem...  Com exceção de uns palavrões bem apropriados, sinceramente acho que sou um doce. Mas pensando bem, talvez seja esse o auge de toda minha luta contra fazer de mim o que esperavam que eu fosse. Num mundo onde as relações oportunistas são mais importantes que a verdadeira amizade, eu escolho a lealdade. Quando a safadeza é chamada de esperteza eu opto pela ingenuidade. Onde se torna apropriado tachar a revolução de agressiva, intolerante e marginal, eu revoluciono com educação, paciência e leitura. Quando liberdade se tornou desculpa para passar por cima do outro, eu só quero ajudar. Se nas novelas de hoje se torce para que o vilão morra no final, eu quero que ele tenha um final tão feliz quanto o do mocinho. Se os que têm muito a dizer vestem preto discreto, eu uso um verde-limão curtinho e falo até pelos cotovelos. Se as loiras têm fama de burra, eu pinto meu cabelo de loiro.

E talvez seja isso que incomode tanto algumas pessoas. Tudo que esperaram de mim eu fiz ao contrário, e tudo que esperavam que eu me tornasse ou parecesse devido á minha “ rebeldia” foi por água abaixo. Deve ser muito estranho não corresponder aos estereótipos para pessoas que acham estereótipos, estigmas e a bitolação muito convenientes.

Desculpe se eu te incomodo.

Escrito por Prisioneira às 13h22


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Dos enganos e da escrita.

Ainda me lembro que escrevia poemas pra uma pessoa que hoje tem poemas bem mais bonitos que os meus dedicados á ela. Eu ainda lembro que eu sonhava, e falava destes sonhos como se fossem reais,bom, pareciam bem reais.

 

De tudo o que eu escrevi achando ser definitivo ou definidor, pouco se confirmou. Sim, as palavras estão lá rabiscadas num pedaço de guardanapo, e tem um telefone anotado numa carteira de cigarro que eu nunca consegui jogar fora.

 

Minha tentativa de prorrogar as coisas é escrever, anotar em algo mais confiável que minha memória. E eu escrevo compulsivamente, comendo as letras e procurando palavras difíceis só pra temperar o texto. Se eu não escrevo, não tenho como exagerar, sem exageros não estou satisfeita. Minha memória nem sempre me satisfaz: Eu preciso inventar e falar que sou infinita mesmo que me saiba bem limitada.  Eu necessito destas palavras pra exprimir minha intensidade.

 

E eu sobrevivo a cada palavra escrita em vão quando é falha minha tentativa.  Eu juro que tem um lugar que eterniza aqueles momentos, e volta e meia os releio e os  revivo, e daí os reescrevo, na mesma linguagem rebuscada e prolixa, só pra dizer que até que foi legal mas nem tanto assim. ( “Bem... aquele amor era um amor, mas não o amor da minha vida.”  “É... ficar só é chato, mas é legal tbm....”  “Eu nunca mais vou beber, mas nunca mais é muito tempo e eu acho melhor adiantar esse prazo até o fim de semana que vem”)

 

Quem nunca se enganou que me atire a primeira virgula. Nós, seres sensíveis, sempre dedicamos tempo e espaço no papel pra quem não merece ter o nome escrito com letra maiúscula. Nós, seres buscantes, sempre achamos que já é hora de colocar um ponto final na história e somos jogados aos três pontinhos. 

 

E essa a sina de quem sente e muito. Ter vida contada, recontada, mal falada, dando de cara com um milhão de exclamações e interrogações... (Nunca dois pontos, nos lembra o dicionário, e o dicionário não nos sugere arte) Esperando ansiosamente pelo fim do conto onde se escreve em letras  enfeitadas: Felizes para sempre.

 

(Mas eu já sei que sempre não é todo dia)

Escrito por Prisioneira às 13h16


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A PEDRA DO POETA

 

 

Hoje eu te vi e quis correr em sua direção pra falar a palavra que você pensava naquele exato momento. Eu queria te fazer acreditar no destino, no horóscopo, nos duendes e que fomos feitos um para o outro. Eu queria a pedra do poeta no meio do seu caminho para que você distraído tropeçasse, e eu estaria lá para te ajudar a se levantar, e você me olharia e me amaria com os olhos, eu te olharia e te amaria com os olhos. Eu queria uma puta de uma coincidência que cruzasse nossas vidas.

 

Mentira. Eu queria muito mais.

 

Eu queria que cada gota de suor que saísse do seu corpo caísse no meu, e que cada fio de cabelo branco que aparecesse na sua cabeça fosse causado por preocupações comigo. Eu queria com todo o meu coração que cada letra do meu nome te lembrasse uma palavra bonita, e que cada letra do seu nome te inspirasse á escrever pra mim.

 

Eu te queria carne, osso, alma pensamentos e coração. Inteiros meus. Muitas vezes eu desejei ser uma parte do seu corpo pra que você se sentisse amputado caso me perdesse.

Eu queria ser tua família, tua mãe, tua irmã, tua filha: Queria que você dormisse em meus braços, queria ser tua confidente e queria ser tua protegida.

 

E hoje eu te vi... Já te falei sobre os caminhos que sigo e já te disse que eles só levam a você. Dei um passo tímido em sua direção. Tropecei.

 

Tropecei em todas as minhas vontades, em todos os meus segredos e na pedra do poeta que estava bem no meio do MEU caminho.

 

Caí de cara no chão. Caí de cara na realidade. Fiquei de cara com você.

 

Levantei, peguei um espelho dentro da bolsa, vi meu nariz sujo do chão.  Percebi que as flores das quais eu me gabava em meu caminho cresciam adubadas pelo esterco. A merda que você jogava para que eu seguisse na sua direção encantada pelo perfume e beleza floral. E derrepente todo esse coco estava no meu nariz, e eu o via com tanta clareza no espelho, que o fedor se fez mais forte que o perfume das margaridas. Limpei o nariz com um lenço perfumado.

 

Pensei ser melhor um amor mais caro e sofisticado que me poupasse de buscar o perfume das flores adubadas me comprando um perfume francês, enquanto tirava meus segredos e desejos do caminho. Atirei-os longe, o mais longe que minha força e vontade permitiram. Aí você me olhou e me amou com os olhos, eu te olhei e achei melhor deixar a pedra ali mesmo.

 

Eu não daria mais nenhum passo a frente. E caso você viesse em minha direção, seria bem feito se tropeçasse também na pedra do poeta. 

 

Eu dei meia volta, e decidi que o único caminho que eu seguiria era o de volta pra casa. E não permitiria que mais ninguém jogasse merda no meu caminho para que eu pudesse ver flores.

Escrito por Prisioneira às 13h14


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Como nasce uma vilã

E de repente ela percebeu que ele fazia falta. Não só porque há tempos não o abraçava, mas porque era inevitável vê-lo e não querer abraçar. E ela percebeu que tudo que estava relacionado á ele, mesmo da forma mais remota e mais abstrata a incomodava.

Ela que havia sido feliz por três dias acreditando na paz de se estar só, sentiu a falta.

E sentiu só a falta.

De um minuto pra cá todos os outros sentimentos haviam desaparecido, não estava mais feliz porque se sentia livre, ou porque havia acabado de marcar um encontro com um antigo rolo só pra ter certeza que estava livre.  Não estava mais com vontade de fazer loucuras com aquele cara que ela sempre quis e só não o tinha feito por que se sentia devendo satisfações á outro.  Não estava mais a fim de acordar no outro dia, vestir um sorriso e desfilar pra todos a sua plenitude de espírito. Não queria chorar, nem gritar com ele.  E ela podia apostar que nunca mais iria ter fome sede ou sono.

Ela que só apostava na própria capacidade de abstrair as sensações, permaneceu estática, sentada na varanda olhando pra sabe-se Deus aonde. Lembrou-se de algumas das coisas que ele havia dito e não sentiu merda nenhuma. Ela não falava palavrões, mas pensava em muitos o tempo todo. Combinava com sua pose não falar coisas ofensivas.

 

É interessante como as coisas podem parecer tão limpas como o vocabulário dela, e serem tão sujas quanto a sua mente. Ela mesma chegou á essa conclusão: Era incrível como ela pareceu por tanto tempo cheia de luz enquanto estava vivendo nas trevas.

 

Voltou a sentir alguma coisa: se sentiu superior. Ela dissimulava melhor do que ele. Levantou e foi pensar num jeito de dissimular á seu favor.

Escrito por Prisioneira às 13h12


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BRASIL , Sul , CURITIBA , SANTO INACIO , Mulher , de 20 a 25 anos , Portuguese

[ Humor ]

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