Não se preocupe se eu choro demais...
É meu coração exagerado que se aperta sozinho pra te botar mais aconchegado aqui nesse muquifo de desilusões.
E agora eu ando assim, vertendo doçuras. Escorrendo em singeleza. Derretendo em amor. Eu ando assim meio água mesmo... Batendo em pedra dura.
Eu tenho tido saudades até de mim. Saudades de quem eu sou quando tenho minha cabeça encostada no teu peito. Saudades dessa plenitude, dessa integridade. Dessa sensação de imortalidade. Longe de você sou tão efêmera... Aliás, hoje vejo com clareza a intensidade de minha ex-“efemeridade constante”...
Soou estranho não? Mas era eu que, feita de prazeres breves, conversas breves, desabafos breves em parágrafos extensos e (ah meu Deus!) tantos homens e mulheres breves, me fiz intensamente passageira, e como se ainda não bastasse, sem rumo.
Ah claro, sempre derramei tempestades, queimei plantações... Mas sempre fui chuva de verão e fogo de palha, deixei minhas marcas, mas nunca fiquei.
Por isso não se preocupe se eu choro demais, deixa esse rio que fez nascente dentro de mim, seguir seu curso, desaguar em você e ser perene, como deve ser o amor.
Escrito por A Ferida às 20h56
Dias e dias de molho... E sabe á que conclusão cheguei... Cansei da Disneylândia.
Nos meus plenos 21 anos, estou cansada das festinhas, das baladinhas, das conversinhas... Reparem que trato tudo no diminutivo, e sim á uma ponta de desprezo por todo esse universoZINHO adolescente.
Quando foi que isso aconteceu? Sei lá eu. O fato é que não faz diferença se estou ou não cansada desse mundo. Por enquanto é nele que vivo e, havemos de convir, essa transição pro mundo adulto não é algo que se faça só porque se está com vontade de fazer.
Não se acorda numa bela manhã ensolarada e se diz: Opa! Adultei! Entende? Não é como menstruar pela primeira vez ou perder a virgindade... É mais como comprar um sutiã novo e perceber que seus peitos não cabem nele, você só percebe depois que aconteceu e ainda sim não percebe tanta diferença até que o gatinho em que você está de olho comente... Contando que os peitos, lógico não crescem no ritmo que a gente quer.
Mas alguém entende o que eu quero dizer? Ao menos a adolescência entra em nossas vidas dando provas físicas de sua existência. Quando eu vou olhar no espelho e achar que sou adulta? Na minha primeira ruga? Ou quando os peitos começarem a murchar e eu perceber que devo comprar um número menor de sutiã e aquela amiga de infância comentar: “ta mal heim amiga”?
Eu não faço a mínima idéia do que é nescessário pra se tornar um adulto. Trabalhar? Mas pra trabalhar eu preciso me formar, e já estou por aqui com esse negócio de estudo, que um bocado juvenil. Sair de casa? Pra sair eu preciso de dinheiro e dinheiro eu só ganho trabalhando... Ah e o resto você já sabe. E se eu ganhasse na loteria, teria comprado meu passaporte para a vida adulta? Ah... Eu só queria poder pular essa parte e ao discutir com o caixa do supermercado que quer me logra no troco dizendo: “Ta pensando que está lidando com uma adolescente?? Sou mulher feita, não nasci ontem...”
De adultos mesmo só conheço meus pais, meus tios, meus avós e os pais dos meus amigos... Em geral pessoas casadas, com suas famílias... E olhe lá, um bocado de gente que tem família, ou mora sozinha, ou trabalha ainda me parece bastante adolescente.
Isso me dá medo, e se eu nunca for uma adulta? E se mamãe e papai tiverem se esquecido de me fabricar com o milagroso gene que faz virar adulto?
Socorro alguém me tire da adolescência. Se alguém souber um truque ou uma historinha de alguém que virou adulto, quem sabe uma simpatia ou até um conselho, qualquer ajudinha, já basta.
Agora vou ficando por aqui. Contei quatorze pontos de interrogação nesse breve texto e sei que dúvidas são coisas de adolescente, antes que eu cometa o erro de publicar o décimo quinto e isso aqui ficar parecendo um baile de debutantes (nada mais adolescente) vou assistir o jornal. (Humm, bem adulto não?) (Quinze).
Escrito por A Ferida às 18h33