Dia das mães!

Esse tem gostinho especial pra mim.

"Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."

       E ele falou:

                     Vossos filhos não são vossos filhos.
                     São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
                     Vêm através de vós, mas não de vós.
                     E embora vivam convosco, não vos pertencem.
                     Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
                     Porque eles têm seus próprios pensamentos.
                     Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
                     Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
                     Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
                     Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
                     Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
                     Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
                     O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
                     Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
                     Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
                     Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
                     Ama também o arco que permanece estável."

                                                                 (Gibran Kahlil Gibran - O Profeta)

 

Na minha opinião essa é a interpretação mais linda sobre a maternidade/paternidade: "Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas (...)Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria"

Para todas as mamães do mundo um parabéns bem grandão!

 

Escrito por A Ferida às 10h24


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“Vou olhar em sua alma e amar-te ainda mais...”

 

 Como se fosse do nada feito, e do nada explodisse: aqui um mundo inteiro surgia. Banhado em ricos líquidos, silencioso crescia.

Sinais da sua existência em meio a caos nenhum, o fizeram ser notado.  Invisíveis, taciturnos, intangíveis.

Só um sentido que transcenda os Cinco saberia do que já é vivo. Eu soube, e só eu podia saber.  

Pois talvez ele mesmo viva sem saber. Sem entender porque foi chamado. Porque despontou da imensidão do universo e veio parar na miudeza de um corpo humano? (E quem o sabe? )

Seus limites, suas dependências (que nada tem de vicio, apenas de expectativa) estão unidos ás respostas que juntos teremos de procurar.  Pois não ás tenho, e pra ser sincera, muito pouco sei.

Contenhamos então o medo com a certeza do instinto: não é de conceitos que se multiplicam as coisas. É com instinto que se faz um ciclo infindável de vida.

Vida que existe e não se explica. Vida que não precisa de lógica porque é feita inteirinha de sentido. Sentido que eu tenho, e só eu poderia ter.

Tanto bem pode fazer algum mal?

E mesmo em prantos, fica no coração um sorriso perene... A ansiedade de um abraço que ainda não pode ser dado e o amor que só faz crescer...

Escrito por A Ferida às 00h22


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Isabella

"Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais
Não lhe entendem
Mas você não entende
seus pais..." (Legião Urbana - Pais e Filhos)

Não há como conter. Não há blog recentemente atualizado em que não se reconheça, ainda que ás vezes mínima, o impacto do fato de Isabella ter morrido, seja por uma citação, uma referência ou longas dissertações... A falecida menina e sua trágica história fizeram á grande massa coisa que não se esperava mais ver: Isabella nos tocou.

A mídia usou e abusou do nome da menina: divulgou meias verdades, algumas verdades inteiras e outras informações falsas que posteriormente foram desmentidas. Aproveitou-se do apelo público e da nossa comoção para nos vender a tragédia. Nós compramos com gosto e com razão a mercadoria que supriu interesses pessoais diferentes: compaixão, curiosidade por vezes mórbida e o imaginário popular.

Mas assim como o inferno de boas intenções está cheio, de más intenções também se faz o céu. A imprensa, por esse mês ao menos, largou de lado suas “picuinhas-oportunistas-politiqueiras” e botou na mesa o sentimento humano.

A "Isa" ficou íntima da gente. Nós acompanhamos sua morte, seu funeral, a tristeza de seus familiares. Em sua postumidade, através dos meios de comunicação, nós conhecemos sua vida, suas fotos, e até a escolinha onde ela estudou. Acompanhamos aflitos o desenrolar das investigações, e também aflitos, esperamos por respostas e por justiça.

Respostas e Justiça... Isabella morreu aos cinco anos de idade. Agredida, asfixiada e arremessada do sexto andar. 

Sem pretensão nenhuma de ser mártir, ela nos lembrou do quanto gostamos de respostas e justiça. 

Eu confesso, há tempos eu me recusava á pensar e a exigir de nossos governantes, e mesmo das pessoas de meu cotidiano o devido "feedback" das ações cometidas por eles ou terceiros. E acredito que grande parte da população andava assim: mergulhada nesse marasmo de conformismo, na preguiça do raciocínio... Deixando pra depois e o depois nunca chegando.

O caso Isabella me fez questionar meu entendimento de justiça. Afinal, o que eu, pessoalmente, entendia por essa palavrinha mágica? Á quem cabe essa justiça precedida de julgamentos? O quanto eu posso ou devo esperar por ela? O que eu posso fazer por ela?

Eis que encontrei todas essas respostas fuçando essa variedade de opiniões pessoais expostas em blogs, programas de TV e comentários em pontos de ônibus.

Quando soube da notícia, lembro de ter comentado minha indignação com meu namorado. Questionei as razões que um ser humano teria para atirar uma criança de uma janela, ainda que fosse do andar térreo. De que frieza seria dotado um ser humano que segura uma menina pelos braços, e depois a solta, sabendo que seu frágil corpo infantil com sua alma infantil, dali a milésimos de segundos cairiam de encontro ao chão, e que se isso não lhe causasse a morte, teria conseqüências tão ou mais graves que isso? “Como assim? Eu não jogo nem coisas da janela, porque coisas sendo arremessadas pelas janelas já me parecem frutos de atitudes desequilibradas e agressivas!” Foi este um dos meus primeiros raciocínios.

Aí, me surge como a luz no final de um túnel de inquietação, a mãe de Isabella. Também me lembro das suas palavras ao deixar a delegacia após prestar depoimento: “Não tenho nada á declarar. Que a justiça seja feita...” Muitos interpretaram a aparente calma da mãe da Isabella como efeito de remédios ou descaso com a morte da filha. Eu não. Eu vi ali alguém que realmente esperava pela justiça, e esperava porque nela acreditava.

A serenidade da mãe de Isa me contagiou. E eu passei a esperar também serenamente que a justiça fosse feita. Os motivos do crime se tornaram secundários: Havia uma morte, do que adiantaria satisfazer minha curiosidade mesquinha e minha indignação pessoal? Não são as minhas aflições que estão em jogo, é a resolução de um crime.

A mãe de Isabella pareceu entender tudo isso muito bem desde o inicio. Pronunciou-se apenas o necessário, pouco disse sobre o que sabia para não atrapalhar as investigações. Fez o que uma mãe faz: colocou seus sentimentos, sua agonia lá no final da lista de coisas á atender. Priorizou o bem estar de Isabella ainda esta já estando morta. Conteve-se em seu desespero para garantir que tudo corresse bem. A tristeza dela pouco importava: sua filha morrerá, e se algo ainda fazia sentido era colaborar e esperar a justiça ser feita.

A população em geral não conseguiu compartilhar da mesma nobreza de espírito. Atirou pedras nos suspeitos, literalmente. E entre tantas farpas de pouca racionalidade sobrou até pra “um mais do que inocente” pedreiro cujo “azar” foi trabalhar na casa de um dos Nardoni, e por engano ter sua roupa tomada como de Alexandre: Ele só estava no lugar errado, na hora errada. Da última vez que tive notícias dele, soube que em seu bairro o chamavam de assassino e que sua família não queria mais saber dele. Os olhos do pobre pedreiro encheram-se de lágrimas quando ele disse: “Minhas filhas não querem mais me ver”. Chorei com ele. A população, com toda sua comoção e sua sede de “justiça” cometia um erro, muito provavelmente irreversível: condenava um homem inocente.  

Mas que justiça é essa? Meu Deus, que justiça é essa? Isso que o povo anda clamando pelas ruas, com cartazes e pedras nas mãos, nada tem de justiça! Sedentos por justiça estamos sim... Sedentos, famintos e necessitados. Não confundamos isto com a nossa gula por vingança, por revanche, com a busca pelo alívio de nossas próprias frustrações, nossas próprias decepções sociais, nossa própria ansiedade...

Fosse assim, não precisaríamos mais da lei, de advogados, de juízes e policiais. Resolveríamos nós mesmos, á moda antiga, a invasão do outro ao nosso espaço. Sozinhos, irracionais e desesperados acusaríamos, julgaríamos, condenaríamos e por fim faríamos executar nossa sentença baseada unicamente em nossa raiva e angústia.

Escutei de um familiar meu: “eles (os acusados) serão presos, e vão morrer de tanto apanhar na cadeia”. Quem me disse isso, disse com prazer, como quem saboreia o prato da vingança. Mas com a irracionalidade de quem justifica um crime com outro crime. E que no fundo se acha superior ás leis, aos erros e aos outros.

Mas é claro que eu entendo: somos um povo cansado da impunidade e da violência. Somos todos parte da tripulação do mesmo barco furado. E eu, como disse no começo do texto, vi em Isabella uma mártir desprentesiosa, que nos acordou para os sentimentos humanos há muito esquecidos. Pena que junto á estes sentimentos, á essa vontade de ver as coisas acontecerem de uma vez por todas, tenham acordado também o egoísmo e a retaliação. Que tenhamos esquecido de pensar em Isabella para pensar em nossa revolta.

Como dizem: “demos um passo pra frente e dois pra trás”. Voltamos á exigir justiça, mas aos modos de talião.

Ante á isso, diferentemente de como encontro em relação á morte de Isabella, ainda não consegui vislumbrar perspectiva de solução.  Será que ninguém vê que o conceito “JUSTIÇA’ perde o sentido quando reivindicado por pessoas que praticam o seu oposto, injustiças?

E pra terminar, por mais que a minha vontade de dar opiniões pessoais mais detalhadas sobre o caso, culpados e inocentes, seja enorme, vou guardar pra mim. Até porque minha opinião sobre essas especificidades, acho eu, iria de encontro á da grande maioria. Nada acrescentaria. Mas pra polemizar vou deixar um link de um artigo publicado originalmente no site da UOL: http://blog.controversia.com.br/2008/04/09/como-a-justica-francesa-perdoou-uma-mulher-que-matou-a-sua-filha/.

 

Escrito por A Ferida às 01h04


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BRASIL , Sul , CURITIBA , SANTO INACIO , Mulher , de 20 a 25 anos , Portuguese

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